Última atualização em setembro, 2020
Inicialmente, convém destacar que diálogo é uma palavra bastante utilizada quando o assunto é relacionamento! Seja ele com namorado, filho, chefe, amigo, enfim, parece até um tratamento para qualquer dificuldade de ordem afetiva. Neste sentido, te pergunto: você já sentiu necessidade de mais diálogo nas suas relações? Será que você tem dificuldades para dialogar? Que tal refletir um pouco mais a respeito?

Ouvir pode ser diferente de escutar
Cabe esclarecer que dialogar é como uma avenida de mão dupla em que é preciso dizer, mas é fundamental ESCUTAR! Desta forma, quando digo escutar, não estou dizendo preparar sua próxima fala, aguardando o silêncio alheio. Na realidade, escutar significa estar aberto para o que o outro tem a dizer. Ou seja, isto implica respeito, humildade e o acolhimento, necessários para uma conversa adulta e madura.
Por isso, adoro a expressão “escuta ativa” que vai além da simples função auditiva do ouvir. Isto porque, a escuta pressupõe uma abertura e disponibilidade do ouvinte.
“Escutar envolve muito mais do que ouvir uma mensagem, a escuta ativa pressupõe disponibilidade, interesse pela pessoa e pela comunicação, compreensão da mensagem, espírito crítico e alguma prudência na interpretação.” (Rego, 2007)
Deste modo, vejo que poucas pessoas praticam a escuta ativa! Inclusive, eu mesma, por vezes, me peguei pensando no contra-argumento a ser usado. Ou seja, ao invés de concentrar a atenção no que estava sendo dito, percebendo a mensagem que ele queria me passar, eu pensava no que iria dizer a seguir!
Dialogar é preciso
Todos querem ter razão, isto é fato. Por isso, nossa capacidade comunicativa, muitas vezes, é mal utilizada. Afinal, se não tomarmos cuidado, acabamos num monólogo! Isto quer dizer que ignoramos nosso interlocutor e a mensagem que ELE quer nos passar.
Quantas vezes estamos na postura defensiva e nem sequer conseguimos escutar o outro? Temos tanto medo de estarmos errados ou de não sermos compreendidos! Talvez, por isso, barramos o processo comunicacional de imediato como se estivéssemos numa guerra. Assim, imagine aquela cena de feedback com seu chefe, qual era a sua expectativa? Ou então, aquela conversa com seu filho adolescente? Que tal aquela DR com o seu namorado?
São conversas que preferiríamos não ter ou, se possível, adiar por tempo indeterminado. Contudo, adiar não resolve o problema, apenas o torna mais agudo! Afinal, as situações vão se tornando crônicas, somadas a mais e mais dificuldades de expressão. Desta forma, mágoas vão sendo acumuladas e acabam por intoxicar, talvez, de forma insuperável uma relação. Leia também: Liberte-se da MÁGOA que envenena sua vida! Só depende de você!
Claro, citei algumas situações embaraçosas em que é necessário saber o que se quer, onde dói e como colocar isso para o outro. Realmente não é fácil! Exige de nós muito autoconhecimento, disponibilidade para conhecer nossas feridas, tato e humildade para saber como abordá-las com o outro. Além disso, exige também muita serenidade para conseguir escutar o outro e se dispor a compreendê-lo.
Diálogo é como uma faxina interna
Neste sentido, dialogar pressupõe construir uma ponte sobre os obstáculos. E, desta forma, pavimentar um caminho onde só se vê pedras e dificuldades. De fato, concordo novamente que não é fácil! Mas é o único movimento possível, quando queremos manter qualquer relacionamento saudável! Não adianta ficar com “o pote até aqui de mágoas”, como diz a música de Chico Buarque.
É preciso fazer algumas faxinas internas, conhecer o que nos sobrecarrega de peso desnecessário. A partir disso, com muita habilidade, tentar colocar isso para o outro de forma calma e serena e sem acusações! Para tanto, a sensatez é uma ótima companheira!
Quando nos dispomos ao diálogo não significa que o outro vai nos ouvir! Ou mesmo nos dar razão ou compreender tudo o que se passa em nosso coração e, tão pouco, o contrário. Na verdade, significa que vamos nos abrir para a construção de um caminho que favoreça ambas as partes, por isso a escuta ativa é tão fundamental.
Neste momento em que você acessa suas dores, é importante se responsabilizar por elas! Desta maneira, você conseguirá conversar sobre suas dores com o outro, inclusive, é fundamental que você esteja atento e receptivo para receber o mesmo tipo de conteúdo. Com efeito, a expectativa não é de resolver, mas de compartilhar percepções sobre a mesma situação!
Diálogo também significa autorresponsabilidade
Assim, quando cada um se responsabiliza por seus sentimentos de forma madura, portanto, sem acusações ou expectativa, as coisas tendem a fluir melhor! E este compartilhar aproxima e fortalece vínculos de uma maneira muito mais profunda!
Portanto, quando ambos conseguirem expor seus pontos de vista e suas feridas, será possível vislumbrar uma nova forma de se relacionar! Isto é, um acordo em que cada um respeita o espaço e a forma de sentir do outro. Este é o momento de deixar claro o que é inegociável, baseado em profundo autoconhecimento de suas necessidades e limites. Além disso, também é possível vislumbrar aspectos em que é possível ceder para construir um caminho conjunto.
A arte de escutar é como uma luz que dissipa a escuridão da ignorância. Dalai Lama
Para tanto, ilumine seus relacionamentos e deixe a ponte do diálogo muito bem pavimentada! Desta maneira, será possível recorrer a ela sempre que necessário.
Gostou do texto? Para receber novos posts preencha abaixo.