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Paradigmas pra quê?

Paradigmas pra quê?

Paradigma, eita palavrinha que me deixou muito desconfortável nas Ciências Sociais! Lembro quando li “A Crise dos paradigmas na Sociologia”. Isso parece milênios atrás quando penso na vida que tenho hoje, mas parece que foi ontem quando penso na passagem do tempo e já faz mais de 15 anos! Esta palavra me ocorreu agora como um insight importante: vivo atualmente a crise dos paradigmas da Gisele, kkk.

Nenhum paradigma me atende no momento! Nenhuma referência: de mãe, esposa, profissional, mulher, corresponde às necessidades do meu coração. Tudo o que vejo e ouço se parece com uma estação de rádio fora de sintonia. A sensação é de estar remando contra a maré, andando na contramão ou abrindo uma trilha totalmente nova, enquanto todos seguem por outro caminho.

Às vezes meu ego inflado me diz que sou foda por não estar andando atrás da bunda da frente. Às vezes minha mente amendrontada me diz que sou louca por não estar seguindo os padrões vigentes. Às vezes meu coração, espremido entre o ego inflado e a mente amedrontada, cochicha: “continue a nadar, rs!” tal como a Doris no Procurando Nemo.

Maternidade: saindo da jaula de ouro

Ser mãe estilhaçou meu mundo conhecido, minha desconfortável zona de conforto e me fez revisitar fantasmas, sonhos e projeções. Eu me pego pensando em várias coisas que jamais imaginei que ocupariam meu horizonte: Quais as melhores fontes de proteína? Qual a pedagogia que atende meus ideais educacionais? Como não projetar em minha filha meus medos e frustrações?

Assisti um vídeo da Hel Mother “Por que desromantizar a maternidade”, que me chocou por um lado, mas me abriu a cabeça para muitas outras coisas que não consigo nem descrever. Ela diz que ama o filho, mas odeia ser mãe! Frase de impacto numa sociedade que tende a imacular a imagem santa da mãe. Esta santificação, na verdade, é uma jaula de ouro! Idealizam a mãe e punem as pobres mortais que não fingem alcançar o sacro santo padrão de excelência. Vale a pena assistir “Perfeita é a mãe” para dar muitas risadas e RELAXAR!

Recentemente, preenchi dados cadastrais para um banco. Quando a atendente me perguntou minha situação profissional expliquei que sou socióloga, mas estou cuidando da minha filha no momento. De repente, ela me perguntou se podia colocar “do lar” na profissão. Isso doeu mais do que qualquer profissão que ela pudesse me atribuir! Pega de surpresa e sem argumentos, acusando o golpe, eu consenti. Como incomodou, doeu, leva pra casa que é teu! Eu fiquei remoendo esta situação e cheguei a muitos discursos maternos do meu passado que diziam sobre a importância de estudar, ter uma profissão e ser independente.

“Do lar”?!

A partir daí fiz uma viagem aos meus sonhos, à forma como eu imaginava minha vida e ao que eu conquistei até aqui. Fiz um balanço e percebi que conquistei tudo o que eu sonhei, embora nada ocorresse da forma como imaginava. Apesar desta conclusão, não gostei do título “do lar” e notei a razão. Simplesmente porque ele não expressa a verdade do que eu faço! E porque ele vem carregado de um ranço machista, inerente ao meu processo de educação e também à esta sociedade hipócrita em que vivemos.

Fiquei pensando o quanto as pessoas parecem se incomodar quando digo que não estou no mercado de trabalho no momento e o quanto, às vezes, tenho vergonha disso. Engraçado, porque quando eu me sentia prostituída em relações de trabalho insatisfatórias, as pessoas pareciam valorizar, bater nas costas e dizer: “Calma, é assim mesmo, comigo também!” Agora, sinto um cansaço visceral, porque não durmo direito, não como direito, não tenho tempo pra mim direito (to escrevendo no intervalo da soneca). Vejo meu ambiente interno e externo mergulhado no caos, mas quando vejo aquele sorriso, aquele olhar maroto, meu coração pára e tudo vale a pena. Quando percebo o que eu realmente estou construindo, fico grata pela oportunidade que a vida está me dando! Lembrei da música que sempre me emocionou do Zé Geraldo Cidadão, que fala sobre a importância das coisas que construímos a despeito da opinião alheia.

Em Conexão Profunda

Realmente, tudo vale a pena quando a alma não é pequena. Hoje completo 37 primaveras, como dizia minha avó, e decidi comemorar de forma diferente! Decidi olhar para esta Gisele que nada sabe, como diria Sócrates, com mais amor, compaixão e humildade! Decidi assumir que sou mãe em tempo integral, faço reflexões no Conexão Profunda quando consigo e vivo cada dia buscando me conhecer mais e mais profundamente. Se, de alguma forma, minhas partilhas forem úteis pra você, fico muito feliz. Mas estou ciente que a principal razão delas existirem é a expressão de tudo o que se passa aqui neste meu coração. Não preciso de paradigmas, preciso sim é dar espaço e ouvir tudo o que o meu coração tem a dizer!

Gratidão pela leitura! Namastê _/\_

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